CONSENSO EM MODULAÇÃO HORMONAL

Após criteriosa revisão da literatura científica, discussões com médicos representantes de todos os continentes e discussões entre médicos brasileiros, todos profissionais versados e adequadamente qualificados em utilizar e prescrever hormônios em seres humanos com a finalidade primária de promoção da saúde e, ainda, em total consonância com os preceitos e guidelines da International Hormone Society, da World Society of Anti-Aging Medicine, da American Academy of Anti-Aging Medicine, do American Board of Anti-Aging e da European Society of Anti-Aging Medicine nós, médicos membros do grupo de consenso do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade e do Grupo Longevidade Saudável, concluímos haver chegado o momento de tornarmos públicos o nosso posicionamento uníssono e devidamente consensuado acerca da utilização clínica de hormônios bioidênticos em Seres humanos.

Hormônios Bioidênticos são substâncias que possuem exatamente a mesa estrutura química e molecular encontrada nos hormônios naturalmente produzidos no corpo humano. O termo "bioidêntico" é utilizado para preparações que contêm hormônios, tais quais: estradiol, estrona, estriol, dehidroepiandrosterona, pregnonolona, progesterona, testosterona, melatonina, tiroxina, triiodotireonina e o hormônio do crescimento humano recombinante. As alternativas a estas substâncias, industrializadas e comercializadas, são preparações hormonais não bioidênticas geralmente contidas em contraceptivos hormonais, preparações multivariadas utilizadas em mulheres na pré e pós-menopausa e os esteróides anabolizantes, derivados sintéticos artificiais da testosterona, utilizados de forma massiva e indiscriminada em variadas práticas desportivas.

O conceito prevalente é o de que a utilização de hormônios bioidênticos pode ser mais segura e eficaz do que a utilização de hormônios não-bioidênticos, uma vez que aquele se atrelam aos receptores químicos presentes na membrana das células de forma semelhante ao atrelamento estabelecido pelos hormônios endógenos humanos, principalmente quando são observados as concentrações e vias de administração compatíveis com a fisiologia e necessidades metabólicas individuais.

Os membros do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e do Programa Longevidade Saudável estão preocupados acerca da segurança do uso dos hormônios em seres humanos, após a publicação de estudos como o Women's Health iniciative (WHI), em 20023, e o British One Million Study, em 2003, que demonstraram um aumento na incidência de câncer de mama em mulheres na pós-menopausa que se utilizavam de hormônios não-bioidênticos, e também demonstraram aumento do risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Em concordância com as recomendações de um crescente número de sociedades médicas científicas ao redor de todo o mundo, o Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e o Programa Longevidade Saudável corroboram o consenso publicado em 11 de dezembro de 2005 - Tratamento de Reposição Estrogênico-Progestogênica em Mulheres na Pré e Pós-Menopausa - que não recomendava e permanece não recomendando o uso de hormônios estro-progestogênicios não-bioidênticos para o tratamento e correção das deficiências ovarianas.

Contudo, o uso de contraceptivos hormonais orais pode ser considerado, desde que por um período de tempo limitado e desde que inexistam outras alternativas contraceptivas disponíveis. Este consenso está devidamente embasado em uma extensa e profunda revisão da literatura científica acerca do uso de hormônios bioidênticos e não bioidênticos.

Além da vasta gama de efeitos indesejáveis em longo prazo, maior potencial de toxidade e de riscos multivariados estão repetidamente. Por outro lado, é recomendação expressa da International Hormone Society aos seus membros a opção pela prescrição de hormônios, bioidênticos, posição plenamente corroborada pelo Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e pelo Programa Longevidade Saudável. Em contraste com a posição adotada pela American Endocrine Society (Outubro de 2006) e pela American Medical Association (Novembro de 2006) que declaram: "pouca ou nenhuma evidência científica existe para afirmar que hormônios bioidênticos podem ser mais seguros". Uma revisão cuidadosa da literatura científica atual contradiz completamente estas afirmações. Existem evidências fartas e mais do que suficientes para confirmar não só a superioridade clínica como a maior segurança do uso de hormônios bioidênticos, quando se compara aos hormônios não-bioidênticos, particularmente quando as vias de administração transdérmica ou nasal são utilizadas, em detrimento da via oral.

Os médicos que utilizam os hormônios bioidênticos na prática profissional devem permanecer atentos e zelosos em oferecer aos seus clientes e usuários, em todas às vezes, a opção por produtos de ponta, que sejam compatíveis com o grau de pureza, dosagem, estabilidade, absorção, eficiência e segurança, capazes de assegurar os resultados clínicos objetivados.

Os médicos do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e do Programa Longevidade Saudável afirmam poder estabelecer em claro divisor de águas neste suposto conflito de posições por dois motivos principais. Primeiro, os médicos do grupo são devidamente treinados e qualificados para prescrever hormônios bioidênticos aos seus clientes, tendo adquirido suficiente base de evidências e resultados clínicos que confirmam não só a sua segurança, como, principalmente, a sua eficácia clínica, experiência esta que simplesmente inexiste em grupos componentes da medicina convencional que continuam a adotar a prescrição de hormônios não-bioidênticos na sua prática quotidiana. Segundo, a opinião de consenso dos médicos do grupo é absolutamente isenta, imparcial e impessoal, além de não sofrer quaisquer interferência ou ingerências de grupos comerciais, empresas, firmas ou qualquer segmento da indústria que tenham interesses na manutenção das práticas convencionais.

Os médicos do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e do Programa Longevidade Saudável gostariam de deixar claros e ressaltados os seguintes pontos cardeais deste consenso:

a) CONTROLE DE PRODUÇÃO:
A produção de hormônios bioidênticos no Brasil já é feita, por algumas bem empresas específicas, que possuem Know-how, base tecnológica, controles de segurança, garantia de pureza, absorbilidade, estabilidade e procedências das matérias-primas, além de equipe técnico-farmacêutica específica e exaustivamente treinada e capacidade nas diversas rotinas, técnicas e procedimentos de composição destes hormônios, além de controle de estabilidade e de dosagem das substâncias na fase de pós-produção, aonde é aplicada a técnica de espectrofotometria analítica, o que assegura a presença real do hormônio nas concentrações e doses fisiológicas recomendadas e preconizadas pelo médico.
b) MAIOR VANTAGEM DOS PRODUTOS MANIPULADOS:
Preparações manipuladas de hormônios bioidênticos oferecem vantagens indiscutíveis quando se compara com preparações hormonais industrializadas. Larga margem de variação nas dosagens, uso de veículos excipientes especiais como o gel de polaxamer, concentração e composição individualizadas, permitem que se atinja o objetivo terapêutico de uma forma mais rápida, fisiológica e específica, respeitando as necessidades individuais de cada pessoa, elemento que, notoriamente, asseguram maior tolerabilidade, menor incidência de efeitos adversos e maior eficácia terapêutica.
c) PRODUÇÃO, COMERCIALIAZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE HORMÔNIOS BIOIDÊNTICOS NÃO ESTÁ LIMITADA À FARMÁCIA COM MANIPULAÇÃO:
Uma vasta gama de hormônios bioidênticos industrializada, produzida em larga escala e comercializada pelas empresas convencionais da área faz parte hoje do arsenal de opções terapêuticas disponíveis no mercado para pronta prescrição.
d) ESTROGÊNIOS CONJUGADOS DE URINA EQUINA SÃO EXEMPLOS CLÁSSICOS DE HORMÔNIOS NÃO BIOIDÊNTICOS COMERCIALIZADOS EM LARGA ESCALA:
Hormônios estrogênios conjugados, substâncias que deram início a toda esta suposta polêmica acerca do uso de hormônios em seres humanos, são, na realidade, dejetos animais, uma vez que são produzidos a partir da sua extração na urina de éguas prenhes. Constituem um "coquetel" de 38 hormônios derivados e encontrados em cavalos, e que, mais importante, não guardam qualquer relação estrutural, química ou farmacológica com os hormônios produzidos por seres humanos.
e) UTILIZAÇÃO DO TERMO "BIOIDÊNTICOS":
A descabida solicitação da American Medical Association ao FDA para que "proíba" os médicos de utilizarem a terminologia "hormônio bioidêntico", a não ser que a substância tenha sido produzida pela indústria farmacêutica convencional, é uma afronta e fere diretamente os direitos assegurados na primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos da América, cerceando a liberdade da manifestação da palavra, totalmente assegurada pela primeira emenda, e interfere, de maneira absolutamente inaceitável com o direito do médico de prescrever livremente, de acordo com a sua consciência e julgamento profissionais, a melhor opção terapêutica cabível para cada situação clínica. Em decisão histórica, a Suprema Corte Americana optou por manter-se firme e obediente aos preceitos da primeira emenda, declarando explicitamente que os ditos preceitos se aplicam a qualquer área da sociedade americana, sendo a liberdade da palavra em direito inalienável de qualquer cidadão livre e expressão "hormônios bioidêntico" pode ser proferida por qualquer pessoa e não requer qualquer tipo de autorização prévia, nem mesmo do Food and Drug Administration.
f) TESTES LABORATORIAIS:
A maioria absoluta dos médicos que prescreve hormônios bioidênticos, utiliza-se de testes convencionais de dosagens homonais colhidas no sangue e na saliva, como incorretamente afirmado pela American Medical Association (resolução de Novembro de 2006) e Endocrine Society (resolução de Outubro de 2006).
g) SEGURANÇA:
Como já afirmado anteriormente, existe inquestionável base científica de dados na atualidade, que confirmam a maior segurança e superioridade clínica dos hormônios bioidênticos, quando se estabelece comparação com os hormônios não-bioidênticos, particularmente quando administrados pela via transdérmica, nasal ou subcutânea, em detrimento da via oral.
h) PESQUISA CLÍNICA:
Ressaltamos, seguindo as boas práticas médicas, que as pesquisas nesta área continuam em franca e contínua evolução.